Empresa fechou 2011 com ganhos 25,7% superiores aos do ano anterior; No quarto trimestre, mineradora registrou lucro de R$ 8,3 bilhões, com queda de 16,47%
RIO - A mineradora Vale fechou 2011 com um lucro líquido recorde de R$ 37,8 bilhões e receita operacional de R$ 105,5 bilhões, também recorde. Foi um “desempenho financeiro extraordinário, o melhor de todos os tempos”, disse em comunicado o presidente da empresa, Murilo Ferreira. Em 2010, a companhia teve lucro de R$ 30,1 bilhões e receita de R$ 85,3 bilhões.
“Batemos vários recordes, a despeito de um ambiente econômico desafiador. A execução disciplinada de nossa estratégia e a performance das operações foram essenciais para que pudéssemos nos beneficiar da forte demanda global por minérios e metais”, acrescentou Ferreira.
No quarto trimestre, a empresa registrou uma receita operacional de R$ 27,7 bilhões, um crescimento de 2,76% ante o mesmo trimestre de 2010. O lucro líquido ficou em R$ 8,3 bilhões, 16,47% inferior ao do mesmo período do ano anterior.
A empresa também salientou no comunicado o recorde obtido nas vendas de minério de ferro e pelotas, que atingiram 303,7 milhões de toneladas no ano passado, um crescimento de 2,2% em relação a 2010.
Esse recorde se deve basicamente ao aumento das vendas para a Ásia, Oriente Médio e outras regiões, já que os embarques para a Europa, onde estão alguns dos principais clientes da companhia, tiveram queda no ano passado – de 58,9 milhões de toneladas em 2010 para 58,5 milhões de toneladas.
A China foi responsável por 44,1% dos embarques da Vale de minério de ferro e pelotas em 2011. Em 2010, a fatia da gigante asiática estava em 42,9%. Os clientes chinesas compraram 131,870 milhões de toneladas, ante 126,4 milhões de toneladas no ano anterior.
O balanço da mineradora mostra ainda que no quarto trimestre a China comprou 38,023 milhões de toneladas de minério de ferro e pelotas, volume 7,35% maior do que o do último trimestre de 2010, que somou 35,417 milhões de toneladas.
Investimentos
O comunicado divulgado pela empresa mostra ainda que em 2011 a Vale investiu US$ 17,994 bilhões, uma expansão de 41,6% em comparação com o ano anterior, mas 25% inferior ao programado pela companhia no final de 2010 (US$ 24 bilhões). No quarto trimestre do ano passado, os investimentos foram de US$ 6,686 bilhões.
A previsão de investimentos não se efetivou, de acordo com a Vale, por causa de obstáculos à implantação de projetos. Entre essas dificuldades, estão atrasos na emissão de licenças ambientais (como ocorre no projeto de mineração Serra Sul, em Carajás), carência de mão de obra qualificada e equipamentos.
Já no terceiro trimestre a mineradora divulgara que não chegaria ao nível de investimentos almejado. O programa de investimentos da Vale em 2012 prevê gastos de US$ 21,4 bilhões, dos quais 63,7% no Brasil.
A empresa informou que, em 2011, foram entregues cinco novos projetos – Onça Puma (ferroníquel, no Pará), Omã (duas usinas de pelotização), Moatize (carvão, em Moçambique), Estreito (hidrelétrica, na divisa dos Estados de Tocantins e Maranhão) e Karebbe (hidrelétrica, na Indonésia).
A companhia diz que este mês começou a operar na Baía de Subic, nas Filipinas, a primeira estação flutuante de transferência da companhia, que permite o transbordo total ou parcial dos produtos carregados pelos supercargueiros Valemax para navios menores. Com isso, a empresa pretende driblar as restrições impostas pelo governo chinês à entrada dos supernavios da Vale nos portos do país.
No mesmo comunicado em que se manifestou o presidente da Vale, o presidente do conselho de administração da mineradora, Ricardo Flores, comemorou os resultados financeiros.
“Em 2011, o retorno aos acionistas atingiu o valor recorde de US$ 12 bilhões, o que comprova que a Vale é uma empresa com excelente desempenho e enorme potencial. Tenho convicção de que a empresa continuará comprometida com a criação de valor de longo prazo e com o desenvolvimento sustentável das comunidades onde atua e do País”, afirmou Flores.
Fonte Estadao






